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quinta-feira, outubro 01 2009 - 02:57
Estão em andamento os trabalhos na Câmara de Vereadores para a “revisão” do
Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro. Infelizmente estão longe de atender
aos interesses da cidade e de seus moradores.
O Plano Diretor é um conjunto de princípios e regras que orientam a
construção e utilização do espaço urbano, estabelecendo os parâmetros para a
política urbana.
Para que sua elaboração atenda as demandas da sociedade é necessário todo um
trabalho técnico capaz de avaliar a situação da cidade real, levando em conta
aspectos urbanos, sociais, econômicos e ambientais.
Tal tarefa só pode ser realizada pela prefeitura da cidade, com a
mobilização de seu corpo técnico e a participação dos moradores e associações
representativas.
Durante toda a sua gestão, o prefeito Cesar Maia sempre ignorou o Plano
Diretor aprovado em 1992. Preferiu governar através de Planejamento Estratégico
que ignorou as conquistas sociais do Plano e adotou a lógica dos interesses de
mercado.
Para ser coerente com sua política, Cesar Maia nunca realizou um processo de
revisão do plano diretor, apenas enviou mensagens à Câmara sem a fundamentação
necessária e suficiente. Tentando transferir para a Câmara a tarefa de escrever
um Plano sem condições técnicas satisfatórias.
Como era de se esperar o prefeito Eduardo Paes manteve a tradição de seu
antigo líder e enviou nova proposta de Plano Diretor sem atender as condições estabelecidas
no Estatuto da Cidade.
Neste momento, depois de excluírem o vereador Eliomar Coelho, a Comissão de
Revisão do Plano Diretor vem promovendo um arremedo de consulta popular através
de audiências públicas que não tem a menor condição de realmente contribuir efetivamente
para a elaboração de uma legislação tão importante para a vida na cidade. Tal fato
inclusive tem sido registrado por vários participantes das audiências
realizadas.
Ou seja, vivemos uma situação em que um Plano que deveria ser decenal não é
revisto já há 17 anos. Quando a “revisão” começa, a Prefeitura não faz a sua
parte e a Câmara finge que tem capacidade técnica de fazer e ainda tenta
legitimar tudo com um arremedo de participação popular.
De acordo com os membros da Comissão, tudo estará votado ainda em novembro.
Desde modo, fica muito difícil manter a esperança de que o resultado final
do trabalho possa corresponder às necessidades dos cariocas e prover a todos
uma vida tranquila, fraterna e digna.
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