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quinta-feira, outubro 01 2009 - 04:04
Do Blog do Eliomar
Para nós, já está claro: o projeto Porto Maravilha é um conjunto de
intervenções urbanísticas e legais com o intuito de criar um enclave
territorial caracterizado pela verticalização, adensamento populacional e de
atividades, além da especialização em serviços administrativos e outras funções
urbanas ligadas ao processo de reindustrialização da região metropolitana do
Rio de Janeiro.
A região metropolitana está vivenciando um momento sem precedentes em termos
de investimentos em grandes projetos de infra-estrutura (arco rodoviário, trem
bala, PAC, etc.) e plantas industriais (COMPERJ, pólos gás-químico e siderúrgico,
além da repotencialização da Reduc). Toda essa estrutura produtiva, para além
do caos sócio-ambiental que certamente trará para nosso Estado, provocará uma
explosão de demanda por serviços voltados para tais corporações e firmas.
Some-se a isso a perspectiva de grandes espetáculos na área do esporte (Copa do
Mundo e, talvez, Olimpíadas). As áreas do turismo e do entretenimento também
são apontadas como vetores desse novo pulso de crescimento econômico, a partir
da próxima década.
No caso específico do Porto Maravilha, o grande problema é que tal projeto
recupera e institucionaliza a visão de “Planejamento Estratégico” iniciada em
meados dos anos 90, na malfadada gestão Cesar Maia. O ideário da privatização é
retomado com muita força, em detrimento de um sistema de planejamento
participativo, universalizante, e pautado pela captura ou controle das rendas
da terra pelo Poder Público visando a distribuição equitativa dos serviços e
bens públicos por toda a cidade.
Abrangendo integralmente os bairros do Caju, Santo Cristo, Gamboa e Saúde –
além de partes do Centro, Cidade Nova e São Cristóvão – o projeto Porto
Maravilha atingirá a vida de milhares de famílias, numa das áreas mais
empobrecidas e esquecidas pelo Poder Público. Os governos federal e estadual
são os grandes proprietários de terras urbanas na área do Porto, mas a maior
parte desses imóveis está abandonada há vários anos, descumprindo a sua função
social. Pelas análises preliminares dos parcos documentos e informações
confiáveis disponibilizadas pela Prefeitura, constatamos que há grandes riscos
para os vários segmentos sociais ali residentes e para a cidade como um todo.
Para os mais pobres: risco de remoções sumárias bem ao estilo “Choque de
Ordem”, que, pela violência, crueldade e indeterminação jurídica de suas
operações mais parecem ações das fasci di combatimento do início dos
anos 30 – os grupos paramilitares organizados na Italia no governo de Benito
Mussolini, principal líder do Fascismo.
Para a classe média residente, principalmente, no Morro da Conceição: risco
de perder o principal elemento de qualidade de vida na área, ou seja, o caráter
bucólico, de perfil quase suburbano, de paz e tranqüilidade,a ser substituído
pelo agito de inúmeras casas de espetáculo, restaurantes voltados para a classe
média alta, gerando grande tráfego de veículos, poluição sonora e atmosférica,
além de problemas de segurança típicos destas áreas.
Para a cidade como um todo: risco de aumento nos engarrafamentos, uma vez
que uma das principais intervenções do projeto é exatamente a substituição do
elevado da Perimetral e da Avenida Rodrigues Alves por um mergulhão, semelhante
ao da Praça XV, que certamente não servirá para o escoamento do tráfego que ali
passa todos os dias.
Nos próximos posts, refinaremos a análise detalhando as duas fases já
divulgadas e os instrumentos legais que são criados pelos projetos de lei do
Executivo que estão na pauta de votação da Câmara do Rio.
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